uma MALA cheia de criadores em várias disciplinas, que se cruzam e interpenetram em exposições e espectáculos em vários espaços da cidade, a que se associam produtores e técnicos que as tornam possíveis, é a primeira constatação desta 3ª Mostra de Artistas de Lagos.
Um especial destaque para o edifício histórico dos Paços do Concelho, renovado para acolher a sua nova missão cultural, também agregadora de todos os lacobrigenses como nos últimos dois séculos.
De características bienais, o facto de se atingir nesta edição um número total de cerca de 200 participantes, num universo populacional como o de Lagos, é sinal de uma dinâmica criadora perfeitamente enraizada e distribuída por todo o município.
Tal resulta de políticas de dinamização cultural, apoio à participação e fruição artística que a gestão autárquica dos dinheiros públicos tem vindo a proporcionar à população nos últimos anos e a todas as camadas etárias. Mas, na época e no período histórico de novas características que todos estamos a atravessar, não nos devemos contentar com esta primeira conclusão. Interrogarmo-nos permanentemente sobre a validade desta ou daquela decisão no nosso destino colectivo é o único método capaz de as melhorar.
A grande questão é de saber em que é que o fenómeno criativo, atitude eminentemente individual, pode contribuir para a satisfação de um projecto colectivo de comunidade.
Hoje discutem-se muito as respostas e apostas a fazer na direcção do desenvolvimento. As actividades e produtos tradicionais, primários, perderam valor em detrimento da chamada “economia do conhecimento”. A inevitável concentração da população em cidades obriga-as a alterarem os seus anteriores paradigmas de produção e de distribuição.
O que se pretende como modelo, e estamos numa enorme competição, é o da chamada Cidade Criativa. São as transformações e adaptações da malha urbana e da criação de equipamentos de qualidade como base infrasestrutural, de que já estamos na fase de conclusão. Mas a Cidade tem também de saber ser autêntica, o que quer dizer cultural, tolerante, respirando qualidade de vida. São estas as condições para poder manter e atrair os “agentes criativos” de todas as áreas, elemento humano indispensável ao sucesso da comunidade.
Os criadores, aqueles que cultivam a inquietação e o desassossego como os artistas da MALA, a quem só se pode agradecer o facto de (se) exporem, são o fermento de uma Nova Cidade, aquela que pretende ser uma Tecnopolis, inventora de novos produtos e novas profissões.
É na troca de experiências criativas, que hoje são possíveis à velocidade da luz, na cooperação com outros, próximos ou longínquos, no estreitamento de relações pessoais e colectivas, que poderemos construir a sociedade do conhecimento, e por isso mesmo, do respeito mútuo e da tolerância, em suma, democrática.
Essa sociedade terá tudo, menos limites à liberdade criadora…
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